Loading promotion info...
Minha Ex Achou Que Eu Estivesse Perdido. Ela Estava Errada.
Há três anos, numa festa de lançamento de produto, dei um soco tão violento em Blake, então namorado da minha ex-esposa Victoria, que ele perdeu a audição de um ouvido. Fui detido. Victoria entrou com o pedido de divórcio na manhã seguinte. Da cela, soube que ela havia se casado com ele. Meus amigos conheciam bem o meu ciúme doentio e esperavam que, no instante em que eu saísse, fosse atrás da Victoria para reconquistá-la. Em vez disso, desapareci. Até que meu nome foi gritado num point turístico fervilhante de gente. "Quantos espetinhos a senhora vai querer?" perguntei educadamente, "E quer pimenta extra?" Os olhos de Victoria se encheram de lágrimas. "Você... você até esqueceu que eu nunca como pimenta?" Minha voz permaneceu perfeitamente uniforme, uma cortesia profissional contida. — Desculpe. Servimos centenas de pessoas por noite. É mais seguro perguntar do que presumir. Por um instante, o único som foi o da respiração aguda e presa dela, seguido pelo burburinho impaciente da fila atrás. — Vai pedir ou não? Este é o point do TikTok. Anda logo ou perde a vez. Victoria me encarou por um longo tempo, os olhos doendo, até que finalmente baixou a cabeça e pediu rapidamente alguns espetinhos. — Sem pimenta. Ofereci um sorriso educado. — Sete a dez minutos. Por favor, aguarde ali. Com isso, inclinei a cabeça e me concentrei na grelha. Cada movimento era preciso e eficiente. Victoria olhou fixamente para minhas mãos rachadas e inchadas e, de repente, arrancou o espetinho delas. — Alex! Pare com isso! Tomei o espetinho de volta, uma ruga profunda marcando minha testa. — Senhora, por favor, não interrompa meu trabalho. Há muitos outros clientes esperando. O cliente na fila atrás dela soou irritado. — Você perdeu o juízo? Está impedindo o dono de ganhar a vida, quer que ele passe fome? Victoria pareceu ter sido picada por uma abelha. — O que vocês sabem? O Alex está desperdiçando o talento dele completamente aqui! Vocês jamais entenderiam as ambições dele. Os clientes me olharam com divertimento. — O quê, uma antiga paixão dele? — Eu também tinha grandes ambições, mas agora dirijo táxi todo dia. — Né? Eu queria ser bilionário, mas agora estou enterrado em dívidas. Victoria olhou para aquelas pessoas como se fossem idiotas, os olhos cheios de desdém. — Não dá para argumentar com gente assim. Ela se virou para mim, os olhos brilhando com fervor. — Alex, eu... eu sei que você não está fazendo isso por vontade própria. Os códigos e programas que você desenvolveu são as coisas mais brilhantes do mundo. Se você quisesse, poderia ganhar milhões com um estalar de dedos. Por que está se desperdiçando aqui? Antes que eu pudesse responder, seus olhos se avermelharam de autocensura. — É por minha causa? — Eu sei que o que aconteceu naquela época foi um golpe muito duro para você, mas nunca imaginei que você cairia em tamanho desespero, a ponto de acabar assim... Seus olhos estavam cheios de pena, como se eu estivesse fazendo algo completamente degradante. Meu olhar permaneceu calmo. — Senhora, se não quiser comer, posso cancelar seu pedido. Por favor, não atrapalhe meu negócio. Victoria ficou completamente paralisada, os olhos misturando incredulidade e tristeza. Ela se sentou de volta, lágrimas brotando. — Quem disse que não vou comer? Eu quero comer. Me virei e continuei a terminar os espetinhos na minha mão. Victoria comia enquanto derramava lágrimas, os olhos sempre se voltando para mim, esperando que eu a confortasse como eu costumava fazer. Mas eu apenas franzi levemente a testa e depois reabasteci a caixa de lenços dela. — Senhora, se precisar de ajuda, há uma delegacia a mais ou menos quinhentos metros. Diante das minhas palavras, Victoria finalmente não suportou minha indiferença. Ela cobriu o rosto e saiu correndo. Só quando eu estava prestes a desmontar a barraca é que Victoria, que estivera escondida nas sombras por um bom tempo, falou de repente. — Há quanto tempo você faz isso? Ela tirou um maço de dinheiro e o colocou na minha frente. — Estou aqui de férias. Se você passar duas horas me mostrando os pontos turísticos, vai ganhar mais do que ganha com essa barraca.Meu olhar pousou no maço grosso de dinheiro. Uns três, talvez quatro mil. O suficiente para a boneca que a Lily andava namorando havia semanas. Os espetinhos estavam todos vendidos. Só um idiota recusaria dinheiro honesto. — Tudo bem, conheço este lugar como a palma da mão. Sorri, pegando o dinheiro, sem sentir constrangimento nenhum. A voz de Victoria saiu trêmula. — Você... você nunca se importou com dinheiro assim. Dinheiro miúdo. — Teve aquela vez... um herdeiro tentou me pagar uma bebida por meio milhão. Você quebrou uma garrafa de conhaque de um milhão na cabeça dele. Aquilo nos custou um negócio que valia dez vezes mais. Ela olhou para a minha camiseta barata, manchada de gordura, com uma expressão indescritível. — Sua pele é sensível. Você não conseguia usar poliéster vagabundo. Só vestia ternos de lã pura feitos sob medida, e até um par de meias comum custava o suficiente para comprar a sua barraquinha inteira. Ela não conseguia entender como um homem que já foi tão vistoso e extravagante pudesse ter mudado tanto. Não respondi. Apenas sorri e apontei para o prédio no penhasco distante, que mais parecia um castelo nas nuvens. — Aquela construção, erguida bem na encosta do penhasco, é um marco local. Fui apresentando a atração a ela com naturalidade e então me virei para perguntar: — Você já subiu lá? Victoria estava me observando e balançou a cabeça, meio atordoada. — Vá dar uma olhada. Quando você vir o mundo imenso se abrindo diante dos seus olhos, vai entender. Um dia, achei que nunca conseguiria superar Victoria. Agora, olhando para trás, é realmente risível. Victoria encontrou o meu olhar franco, desprovido de qualquer amor, e sentiu uma pontada no peito. — Está bem. Na subida da montanha, agi como um guia aplicado, falando com entusiasmo sobre a cultura e as tradições locais. Quando passávamos por outros vendedores, eu os cumprimentava alegremente. — Alex, fazendo bico de guia de novo? — Essa juventude tem fôlego mesmo, trabalha até tarde guiando turista montanha acima pra fazer um dinheiro extra. Victoria olhou para o meu perfil esguio e perguntou baixinho: — Você costuma trabalhar como guia? Respondi com franqueza. — De vez em quando mostro os pontos turísticos, mas nenhum turista é tão generoso quanto você. Abri um sorriso largo e genuíno. Victoria finalmente percebeu, naquele instante, que eu estava genuinamente contente com aquela quantia irrisória que eu antes desprezaria. Não era uma tentativa de provocá-la. — Alex, não fique assim. Ela de repente agarrou a minha mão, a voz carregada de sinceridade. — Mesmo que a gente esteja divorciado, eu não quero ver você se acabando desse jeito. — Você não é uma pessoa comum. Mesmo tendo ido para a prisão, você ainda pode dar a volta por cima. Ela puxou o celular e começou a digitar rapidamente o número de uma conta bancária. — Sempre tive medo de entrar em contato com você. Achei que estivesse bem, mas nunca imaginei que você... Esse dinheiro é o que eu te devo. Pega e começa um negócio novo. Sem hesitar nem por um segundo, ela digitou o valor: cinco milhões. Eu só observava Victoria, em silêncio. Ela pensou que eu estava aceitando o dinheiro calado, mas então a tela do celular dela mostrou uma notificação: a conta bancária do destinatário estava encerrada. Ela ficou completamente pasma. — Alex... você me odeia? Ela levantou os olhos para mim, os olhos marejados de lágrimas. — Essa é a conta que você abriu quando me pediu em casamento. O número era a data do meu aniversário com os meus números da sorte. Você disse que a manteria para sempre, que cada vez que gastasse dinheiro, estaria guardando felicidade para mim. Você não quer mais que eu seja feliz? Meu olhar se desviou calmamente para o homem atrás dela. — A sua felicidade está aqui.Victoria hesitou e, então, virou a cabeça lentamente. Blake estava parado, quieto, não muito longe dali, estendendo a mão para ela. — Querida, estava esperando você aqui em cima. Ele pegou o celular. — Mandei uma mensagem horas atrás para a gente se encontrar no topo. Não imaginei que você fosse demorar tanto para subir. Fiquei preocupado, achando que algo tinha acontecido com você. Victoria me olhou sem expressão, minhas palavras ainda ecoando na mente dela. Tão breves, mas tão dolorosas. Vendo que Victoria não se mexia, Blake se aproximou, segurou a mão dela e sussurrou algo íntimo em seu ouvido. — Quem é esse? Comparado a três anos atrás, meu rosto tinha ganhado algumas marcas de dificuldade, mas minha aparência não tinha mudado muito. Blake, no entanto, fingiu deliberadamente que não me reconhecia. Victoria me apresentou, visivelmente tensa. — Este... este é o Alex. Blake soltou uma exclamação dramática, cobrindo a boca. — Meu Deus, Alex. O que aconteceu com você? Você está com um ar tão... castigado. Seu olhar cheio de desgosto recaiu sobre minha camiseta desbotada. — Adidai? Alex, francamente. Se não pode comprar o original, precisa mesmo se esforçar tanto? Usar uma falsificação tão óbvia... é simplesmente triste. Então ele se deu conta de que falara algo errado e se encolheu atrás de Victoria, fingindo estar assustado. — Sou sempre muito direto, não foi por mal. Por favor, não me bata de novo. Victoria gastou milhões para eu conseguir um implante coclear. Os olhos de Blake estavam cheios de provocação, mas eu não reagi. Victoria sempre considerara a franqueza de Blake uma virtude, mas agora aquilo soava irritante. — Blake, chega. Blake revirou os olhos para mim com impaciência e depois choramingou para Victoria. — Tudo bem, minha esposa queridíssima, a culpa foi minha, falei sem pensar. Mas o Alex realmente mudou muito nesses três anos. Fiquei chocado demais. Blake tirou um cartão black premium do bolso. — Acabei de ouvir Victoria dizendo que quer ajudar você, mas sua conta bancária deve ter sido bloqueada há três anos, certo? Esse cartão tem cinco milhões. Deve ser o suficiente para você viver com conforto pelo resto da vida. Estendi a mão para recusar o cartão, mas Blake sorriu com desdém e o soltou de propósito. O cartão bateu no chão lamacento com um tapa. Blake olhou para mim com um ar de falsa desculpa. — Opa, minha mão escorregou. — Lembro que você costumava ter pavor de germes. Mas imagino que, depois de vender churrasco por tanto tempo, não tenha mais isso, não é? — Ouvi dizer que comida de rua de barraquinhas costuma ser anti-higiênica e nojenta. Você não se importa de vender essas coisas por dinheiro, e é até bem resistente. Os clientes por perto, segurando seus espetinhos, ficaram com cara de nojo, questionando a própria comida. Meu olhar endureceu na hora, fixo nele. Victoria achou que eu ia bater em Blake e, nervosa, se pôs na frente para protegê-lo. Peguei o cartão manchado de lama e o arremessei contra o peito de Blake. — Cada ingrediente aqui passa por inspeção — eu disse, com a voz calma e firme. — Se você tem alguma prova de irregularidade, fique à vontade para denunciar. Minha resposta pareceu desequilibrar a balança. Os clientes deram um passo à frente para me defender. — Os espetinhos de cordeiro e carne daqui são cortados e espetados pelo dono de manhã cedo. Todos nós vimos! — Ele até faz transmissão ao vivo de todo o processo, desde comprar a carne no mercado até temperar. É tudo limpo. Não tem nada de anti-higiênico aqui! Blake tentou dizer mais alguma coisa, mas Victoria, com o rosto endurecido, o puxou para trás. — Blake, já chega. Blake fechou a boca de má vontade, sem ousar dizer mais nada. Victoria olhou para os meus olhos, completamente desprovidos de qualquer afeto, e seus dedos se apertaram lentamente. — Peço desculpas por ter incomodado você hoje. Não vai acontecer de novo. — Você... você mudou muito.