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Meu namorado terminou comigo depois de ganhar na loteria, e eu fiquei rica discretamente
No meu aniversário, meu namorado de cinco anos terminou comigo. Eu aceitei. No dia seguinte, ele postou uma colagem de fotos no Instagram dele. Na foto, ele e a outra mulher estavam sentados em uma BMW novinha em folha, segurando uma certidão de casamento e sorrindo docemente para a câmera. A legenda: "Começando uma vida nova a partir de agora!" Eu sorri com desprezo, abri o aplicativo do banco no celular e contei os zeros da direita para a esquerda: milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões... No meu vigésimo nono aniversário, eu tinha acabado de receber uma notícia absolutamente incrível e estava radiante. Eu estava prestes a compartilhá-la com meu namorado, Liam, quando vi a cara fechada dele. "Cassidy, vamos terminar." Meu sorriso foi desaparecendo lentamente. Fiquei encarando ele, sem dizer nada. "O aluguel vence no fim do mês. Todos os móveis e eletrodomésticos que compramos, vou deixar tudo para você. Só vou levar meu laptop e algumas mudas de roupa." Liam fingiu ser generoso. Quase gargalhei alto. Móveis e eletrodomésticos? Ele estava falando da escrivaninha de segunda mão que usava para jogar, ou do ventilador quebrado que já não oscilava mais? Talvez meu sarcasmo estivesse óbvio demais, porque Liam se remexeu, desconfortável. "E o nosso cartão conjunto estava no seu nome. Todo o dinheiro que está nele, vou deixar para você também." Revirei os olhos. A gente tinha combinado de depositar metade dos nossos salários todo mês numa conta compartilhada para os gastos conjuntos. Mas ele trabalhava com vendas, com um salário base pateticamente baixo, e a renda mensal dele era sempre inconsistente. Especialmente nos primeiros anos, ele se matava para puxar o saco de clientes e sempre acabava nos últimos lugares do ranking de vendas. Mesmo quando ele colocava o salário inteiro, não era suficiente; eu vivia cobrindo o resto do meu próprio bolso. Depois, com sua boa aparência e aquele ar descolado e distante, ele finalmente atraiu alguns clientes e o desempenho dele começou a melhorar. Mesmo que a renda dele tenha aumentado, suas exigências por uma qualidade de vida melhor só cresceram. Era de se esperar que, antes do fim deste mês, ele já tivesse esbanjado todo o dinheiro do cartão. O saldo atual não dava nem para as compras do supermercado no dia seguinte. Como ele ousava dizer que estava *deixando* tudo isso para mim?! Meu rosto escureceu, e eu reprimi com força a raiva crescente no meu coração, dizendo de forma cortante: "Você não tem nada para me dizer?" Liam congelou, o olhar desviando para o lado. Então ele tentou aliviar o golpe com um tom condescendente: "Não fica assim. Eu sei que você está chateada, e eu não queria fazer isso com você. Mas, assuntos do coração não se forçam, né? Terminar agora é pelo nosso futuro, não quero que você continue se matando por mim... Deixa pra lá." Talvez ele só estivesse sob pressão demais. Era por isso que ele tinha que desistir de nós. Suspirei aliviada, me sentindo um pouco enternecida, e estava prestes a contar as boas notícias quando meu telefone tocou. Era um número desconhecido. Liam deu uma olhada, e seu rosto instantaneamente se retesou. "Provavelmente é chamada de spam, Cassidy! Não atende números desconhecidos!" Vendo ele daquele jeito, tive um aperto no estômago. A intuição feminina me dizia que aquela ligação não era tão simples. Levantei a mão e apertei o botão de atender, colocando no viva-voz. "Alô, é a Cassidy?" Era uma voz feminina. Liam não conseguiu mais ficar parado. Ele se levantou e tentou pegar meu telefone, mas eu, já prevendo, me esquivei. "É ela mesma." Eu estava pressentindo algo e meus dedos tremiam ligeiramente. "Sou a namorada do Liam. Ele ainda está aí com você? Por favor, diz para ele vir para casa mais cedo; estou esperando ele para o jantar." Depois de dizer isso, sem esperar pela minha resposta, ela desligou. Olhei para o teto, respirei fundo várias vezes e tentei com força segurar as lágrimas que estavam brotando. Depois de um longo momento, virei a cabeça para olhar para Liam, que estava completamente perdido e atrapalhado por seu segredo ter sido exposto, e o questionei: "Ela é sua namorada, então o que eu sou?" "Cassidy, me desculpa. Eu não queria isso. Mas... não consigo controlar assuntos do coração..." Liam abaixou a cabeça e cobriu o rosto, parecendo totalmente abatido.Ele sempre foi assim; quando se via diante de uma situação complicada, enfiava a cabeça na areia como um avestruz, como se isso fosse fazer tudo desaparecer. No passado, eu o consolava com paciência, orientava e buscava maneiras de ajudá-lo a resolver as coisas. Mas dessa vez, eu não ia perder mais tempo com ele."Você…" Assim que abri a boca, o telefone tocou de novo. Dessa vez, era o do Liam. Ele pegou o celular, parecendo atrapalhado, o olhar oscilou entre a tela e eu por alguns segundos, então ele cerrou os dentes e optou por desligar. De relance, vi o identificador de chamadas: "Amor". Ha! Que ironia! Eu nunca bisbilhotava o celular dele. Talvez tenha sido justamente por causa da minha confiança que ele se tornou tão descuidado. "Quando foi que isso começou?", não consegui evitar de perguntar. "Faz… mais ou menos meio ano." Liam baixou a cabeça, parecendo um pouco sem graça. Não era de se admirar que, nos últimos seis meses, ele tivesse contribuído tão pouco para a nossa conta conjunta, enquanto seus gastos eram enormes. Achei que fosse por causa da economia difícil e, com medo de pressioná-lo, não ousei fazer muitas perguntas, só tirava dinheiro do meu próprio bolso para satisfazer suas diversas exigências. No fim das contas, ele estava usando o dinheiro para sustentar outra mulher… Cerrei os dentes, fechei os punhos e me alertei em segredo: *Não se irrite, não se irrite! Cassidy, a sua melhor vida ainda está por vir!* Meu celular tocou de novo. Era o mesmo número. Ela estava ficando impaciente. Soltei uma risada de escárnio e atendi. Imediatamente, a voz enfurecida de Chloe ecoou pelo quarto todo. "Cassidy! Você não tem vergonha na cara?! O Liam já terminou com você e você ainda está se agarrando a ele! Deixa eu te dizer com todas as letras! Vocês dois não têm mais volta! Somos ambas mulheres, e eu te aconselho a desencanar logo, não se faça de coitada assim!" Liam não aguentou mais ouvir; ele tomou o celular da minha mão e desligou. Não consegui conter as lágrimas. Liam tinha uma expressão perturbada e não ousava me encarar. "Estou indo embora. De agora em diante, se cuida." Dizendo isso, ele pegou a mala que já estava pronta e foi embora sem olhar para trás.Naquela noite, fiquei deitada sozinha no meu pequeno apartamento, virando de um lado para o outro, sem conseguir dormir. Cinco anos. Quantos períodos de cinco anos uma pessoa tem na vida? Liam e eu viemos de origens humildes, trabalhando duro na mesma cidade depois de nos formarmos na faculdade. Nós nos conhecemos numa confraternização de amigos. Na época, ambos tínhamos acabado de nos formar, já havíamos experimentado algumas durezas da vida, mas ainda mantínhamos uma pontinha de esperança, sem querer desistir dos nossos sonhos. O dia em que começamos a namorar foi o meu aniversário. Choveu muito naquele dia, e ele estava sem guarda-chuva. Debaixo da chuva, ele veio todo encolhido, protegendo com cuidado um bolinho no colo, e correu até mim, dizendo com um sorriso: "Cassidy, feliz aniversário!" Olhei para o Liam, ensopado até os ossos, e fiquei profundamente emocionada. Depois de adulta, além dos meus pais, ninguém ligava para o meu aniversário. O Liam era o único. Dali em diante, nesta selva fria de concreto, duas almas solitárias se uniram, aquecendo uma à outra. "Cassidy, de agora em diante, vou comemorar seu aniversário todos os anos!" "Cassidy, quando eu ganhar dinheiro no futuro, vou comprar um carro pra você! E buscar e levar você do trabalho todo dia!" "Não! A essa altura, você não vai nem precisar trabalhar! Eu cuido de você! Vou te levar pra passear! Vamos comer comidas deliciosas, ver paisagens lindas, viajar pelo mundo!" Ele gostava de sonhar, e eu acompanhava os sonhos dele. Porque nos sonhos dele, eu estava incluída. Naquela época, eu acreditava firmemente que, enquanto houvesse amor, dificuldade nenhuma era realmente dificuldade. Eu me esforçava para ganhar dinheiro, contava cada centavo, só para juntar mais e comprar nossa própria casa mais rápido.