Loading promotion info...
Fiquei com o Colega de Quarto do Meu Namorado
Naquele dia em que Jake Miller se declarou para a linda aluna transferida, todos acharam que eu perderia a cabeça e iria lá fazer um escândalo. Mas eu nunca apareci, nem mesmo depois que tudo acabou. Jake não fazia ideia de que, naquele exato momento, eu estava sentada na cama do colega de quarto dele, usando o moletom do tal colega, perguntando frustrada: — Molhei toda a sua cama. Como você vai dormir essa noite? Liam Carter desviou o olhar, o pomo de adão subindo e descendo enquanto me passava uma toalha. — Vai secar o cabelo. Eu troco os lençóis antes de você capotar. Jake ia se declarar para aquela aluna transferida lindinha. Ele tinha pedido para todo mundo esconder de mim. Só não contava que um linguarudo não ia conseguir segurar a fofoca. Todo mundo sabia que eu sempre fui a fim do Jake, até sonhava em casar com ele um dia. Dessa vez, o Jake parecia completamente caidinho. O pessoal estava apostando que eu ia fazer um escândalo, chorar, dar o maior barraco. Todo mundo adora esse tipo de drama. Estavam todos esperando eu surtar e correr para estragar tudo. Mas que nada. Mesmo depois da declaração bem-sucedida do Jake, eu não apareci. A multidão, amontoada em três fileiras, começou a ficar entediada. O próprio Jake nem parecia tão feliz assim. Ele estava abraçado com a nova namorada e puxou o celular. Nenhuma chamada. Nenhuma mensagem. Jake franziu um pouco a testa. Então se virou para a multidão. "Bebida por minha conta hoje à noite. Todo mundo convidado." Os colegas que estavam assistindo à cena vibraram. Eu estivera o tempo todo atrás de umas árvores e finalmente saí de lá. Alguém de olho afiado me avistou e gritou: "Mia! A Mia está aqui!" "Sabia. Não tinha como a Mia ficar de fora." Jake ergueu a cabeça de repente. No segundo em que me viu, o canto da boca dele se contraiu, quase como um sorriso. Ignorei todo mundo faminto por drama. Andei diretamente até o Jake. "Mia." Jake apertou o braço em volta da nova namorada. Ele olhou para mim, com a voz sem emoção. "Essas coisas não se forçam." "A gente se conhece há mais de dez anos. Não quero falar nenhuma aspereza, estragar o que a gente viveu." "De agora em diante, você ainda é como uma irmã para mim." "Se precisar de alguma coisa, ainda pode recorrer a mim." Então abaixou a voz. "Com todo mundo olhando, não faça cena aqui. Vá para casa." "Jake", eu o interrompi, dando um passo lento à frente. Ele franziu a testa de novo. "Mia, seja razoável." Eu sorri e estendi a pulseira que tinha acabado de tirar do pulso. "Eu vim devolver isto." Ao ver a pulseira, o rosto de Jake se fechou. "Mia, que joguinho é esse agora?" "Pegue. Não vou te incomodar depois disso." Jake me encarou, com a voz mais baixa. "Não me importo com o dinheiro." "Se não quiser, jogue fora." Assim que as palavras saíram da minha boca, me virei e joguei a pulseira em uma lixeira ali perto. "Pode jogar fora tudo o mais que eu já te dei também." Dito isso, fui embora sem olhar para trás. Quando cheguei na beira do rio, estava caindo um temporal. Parada ali na chuva com um guarda-chuva, fiquei pensando nos sonhos que eu vinha tendo. No sonho, por causa da declaração do Jake para a Chloe, eu chorei e fiz um escândalo. Para forçá-lo a terminar, pulei no rio naquela noite. E como aquilo terminou? Quase morri. Jake ficou no hospital por no máximo cinco minutos antes de ir embora. A família Foster, que me acolheu, achou que eu era uma vergonha por ter tentado me matar. E com a atitude do Jake, decidiram que eu era um caso perdido. Me fizeram largar os estudos e me mandaram de volta para os meus pais biológicos, que estavam envolvidos com todo tipo de porcaria que se possa imaginar. No fim, minha vida desandou rapidinho, e eu morri na miséria, num país estrangeiro. Depois que morri, quem juntou o que restou de mim foi a pessoa de quem eu sempre tive medo, de quem eu mantinha distância. E Jake, recém-casado e feliz, nunca apareceu. Ultimamente, tudo nos sonhos vinha se realizando. Se não fossem aqueles sonhos, eu estaria explodindo o celular do Jake agora mesmo. E depois estaria ameaçando pular. Sou grata por aquele sonho. Parece uma segunda chance. Posso mudar o destino de porcaria que me esperava.Na terceira vez que disquei o número, ele finalmente atendeu. Apertei o telefone contra o ouvido. O nome ficou na ponta da língua até que eu finalmente o pronunciei. “Liam.” A chuva forte abafava o mundo inteiro. Só a voz de Liam, um pouco arrastada, chegou grave e profunda. “Mia?” “Liam, está caindo um temporal.” “Estou perto do rio. Não consigo voltar. Você pode vir me buscar?” Silêncio do outro lado por alguns segundos. Agarrei o cabo do guarda-chuva com nervosismo, a palma da mão suada. No sonho, quando Liam recolhia os meus restos, acho que ele chorou. As lágrimas caíam uma a uma sobre o que tinha sobrado. Até no sonho, eu conseguia sentir aquela ardência. Depois, ele carregou um pequeno frasco com as minhas cinzas pela vida inteira. E ficou sozinho a vida inteira. Meus olhos arderam. Engoli um soluço. “Por que você está chorando?” A voz de Liam surgiu de repente. Ainda aquele tom indiferente, com um leve toque de aborrecimento. “Eu não disse que não viria.” “Então… quando?” “Espera. Vinte minutos.” “Tá. Vou esperar, Liam.” Ele não disse mais nada, e a ligação caiu.Quinze minutos depois, dei meu guarda-chuva para uma mãe e uma criança que se escondiam da chuva. Por isso, quando Liam apareceu, eu já estava encharcada. Ao sair do carro, seus lábios estavam cerrados, seu rosto frio como gelo. Afastei minha franja molhada e olhei para ele com um sorriso radiante. — Liam, você chegou na hora certa. — Mia, você vai acabar morrendo de tão idiota. Ele agarrou meu braço com frieza e me empurrou para o banco do carona. Depois jogou um cobertor macio em cima de mim. — Se enxuga. Não vai molhar meu carro. Ele me olhou pelo retrovisor e, em seguida, fez o retorno com suavidade. — Ah. Me enrolei no cobertor e não resisti a observá-lo às escondidas enquanto dirigia. Com o rosto impassível, ele parecia frio, inacessível. Muitas garotas da escola gostavam dele, mas ninguém se atrevia a tentar algo. Ele era colega de quarto do Jake. Eu costumava ir muito ao dormitório do Jake e, todas as vezes, o Liam parecia realmente não gostar de mim. Mesmo agora, embora tivesse vindo me buscar, continuava gélido. Quando me empurrou para dentro do carro, ele usou força de propósito. Meu pulso ainda doía, com uma marca vermelha em volta. Difícil acreditar que ele gostava de mim em segredo esse tempo todo. Baixei o olhar lentamente. Tudo no sonho se realizou. Mas agora, por eu ter mudado as coisas, muita coisa mudou também. Será que Liam ainda gostava de mim? Se ele não gostasse nem um pouco de mim, eu não estaria apenas lhe causando problemas? — Voltar pro dormitório? Liam me olhou de repente. Meu coração disparou. — Sim. Seu dormitório. Liam apertou o volante com mais força e soltou uma risada seca. — Jake não volta esta noite. — Eu sei. Enrosquei a ponta do cobertor nos dedos. — Não estou procurando por ele. O carro freou bruscamente, parando no acostamento. Liam se virou para mim, a frieza em seus olhos me fez tremer. — Mia, não me use no seu joguinho com o Jake. — Eu não estou… Ele me encarou por um instante e então puxou o celular. — Vou chamar um táxi. Volta sozinha. — Liam… Mordi o lábio com força e arranquei o celular da mão dele. — Mia. Ele olhou para mim. Não havia raiva, nem repulsa em seus olhos. Apenas… profundeza. Como se uma tempestade inteira estivesse ali. De repente, me senti triste. — Liam, não quero voltar para o dormitório. Estão todos rindo de mim. — Também estou com medo de ir para casa. — Posso… só ficar no seu quarto esta noite? Escondi o celular dele atrás das costas, minha voz cada vez mais baixa. — Claro, se você realmente me odeia tanto… esquece. Bem naquele momento, lágrimas rolaram pelo meu rosto. Silenciosas. Sem ruído. Liam não disse mais uma palavra para mim. Mas ligou o carro de novo. O veículo seguiu em direção ao campus, parando por fim em frente ao prédio do dormitório dele. Acompanhei Liam para dentro. Ele foi até o armário, puxou um moletom limpo e me entregou. — O banheiro é ali. Ele é alto, então o moletom ficou enorme em mim. Ia quase até os joelhos, como um vestido. Depois do banho, fiquei só com o moletom, pernas nuas. Liam me lançou um olhar e depois desviou rápido. Passei pela cama do Jake e me sentei na de Liam. Meu cabelo molhado pingava, encharcando rapidamente os lençóis. O xampu, o sabonete no meu corpo — tudo tinha o cheiro do Liam. No quarto pequeno, o mesmo aroma estava em toda parte, e uma intimidade silenciosa e estranha foi se formando. Liam pegou um maço de cigarros e pigarreou. — Vou fumar. Ele foi para a varanda. Examinei a cama do Liam. Lençóis em tom cinza claro, arrumados. Um computador e livros na escrivaninha, tudo igualmente organizado. Eu estava prestes a bisbilhotar as coisas dele na mesa quando meu telefone tocou. O nome Jake piscou na tela. Não atendi. Ele ligou de novo. E de novo. Como se não fosse parar. Coloquei no silencioso e joguei o celular de volta na bolsa. — Liam. Chamei em direção à varanda. Ele se virou rápido, apagou o cigarro e veio. — O que foi? Sentada na cama, tive que erguer o olhar para ele. Os olhos de Liam encontraram os meus por dois segundos e então se desviaram. Mas eu vi que a nuca dele estava vermelha. — Molhei sua cama toda. Como você vai dormir esta noite? Ele me lançou um olhar, depois olhou para a mancha úmida nos lençóis. Seu pomo de adão subiu e desceu com força antes que ele se virasse para o armário. — Seca o cabelo. Eu troco a roupa de cama. Então ele foi pegar lençóis novos. Segurando a toalha, pensando em suas orelhas vermelhas, não pude evitar um sorriso.Quando saí, com os cabelos secos, Liam já tinha trocado os lençóis. “Vai dormir.” “E você?” Ele puxou uma cadeira, sem nem olhar. “Vou jogar.” “Ah.” Sentei na cama dele, meio desanimada. Liam pegou o headset, estava prestes a colocá-lo, quando o celular tocou. Ele olhou para a tela, depois para mim, antes de atender. “Jake. O que foi?” Meu coração se apertou. Segurei a respiração. “Sim, estou no dormitório.” “Alguém viu a Mia aqui no prédio?” Liam me olhou de novo. “Eu—” Em pânico, não deixei que ele terminasse. Me levantei, fui até ele e me sentei no seu colo, passando os braços ao redor do pescoço dele. Quando Liam tentou me afastar, encostei a boca no ouvido dele. “Liam, diz que eu não estou aqui.” Debaixo dos meus braços, a pele de Liam ficou quente, muito rápido. Vi uma veia no pescoço dele pulsar. O pomo de adão se moveu, o coração batendo descontrolado. Olhei para cima, para ele. Ele olhou para baixo, para mim. Nos olhos dele, algo sombrio e desejante se espalhou. “Não. Estive aqui o tempo todo.” “Ela não veio. É, pergunta para outra pessoa.” Liam desligou assim que as palavras saíram. Jogou o celular de lado, os dedos longos agarrando minha cintura por cima do moletom. Me segurando firme, me apertando contra ele. Eu senti. O calor. O desejo. Meus ouvidos zumbiram. Meu primeiro pensamento foi fugir. Mas Liam me segurou mais forte. “Mia.” A voz dele estava rouca. Sua respiração quente tocou minha orelha, meu pescoço. Estremeci, tentei me mexer, mas o beijo dele pousou bem nos meus lábios. “Não me provoca… Não quero te tocar aqui.” “Liam…” Me contorci, tentando ajustar a forma como estava sentada. O calor entre nós parecia perigoso. Quando consegui respirar, finalmente soltei as palavras. “Se você não quer me tocar, por que está me beijando?” Liam abaixou a cabeça, a testa encostada na minha. No meio da nossa respiração bagunçada, ele fechou os olhos, como se tentasse se acalmar. “Aliás, você ao menos sabe beijar? Meus lábios estão inchados.” “Mia.” Liam não abriu os olhos. Mas as mãos na minha cintura afrouxaram um pouco. Os dedos dele eram longos, fortes. Me segurando por cima do moletom, doía e era bom. “Liam…” Franzi a testa, tentei afastar as mãos dele. Mas Liam segurou meus dedos. “Mia, não se mexe.” “Vou ser mais gentil.” Enquanto terminava de falar, as mãos dele deslizaram para a parte inferior das minhas costas. Ele me puxou para mais perto, apertada contra ele. Esse beijo foi longo. E suave. No final, ele perdeu o controle, me beijando fundo. “Liam…” Empurrei de leve o peito dele, mordi seu lábio entre as respirações. “Mia.” A voz de Liam estava arrasada. O corpo dele inteiro ficou tenso. O calor das mãos dele quase me queimava. Liam afundou o rosto no meu pescoço com um gemido baixo. A tensão se quebrou, depois se dissipou. Mas logo começou a se acumular de novo. Ainda assim, Liam gentilmente me afastou, me colocou de pé. Só achei a expressão dele estranha. E havia um cheiro novo no ar. Não pude evitar perguntar: “Liam, o que aconteceu?” As orelhas dele estavam vermelhas como sangue. O cara que sempre era tão frio agora tinha olhos cheios de desejo cru. “Preciso de um banho.” Ele se levantou, os olhos baixos enquanto ajeitava a barra do meu moletom bagunçado. “Dorme.” Antes que eu pudesse dizer algo, Liam já estava no banheiro. Quando a água começou a correr, deitei na cama de Liam e me enrolei. Depois pressionei as costas da mão contra o rosto ardendo. Acho que meio que adivinhei o que aconteceu. Mas Liam é alto, malha, todo de músculo definido. Mandíbula marcada, mãos fortes. De qualquer jeito que se olhe, ele não parece o tipo que… terminaria tão rápido. Talvez nunca tivesse tido namorada antes? Nunca tivesse estado tão perto de uma garota? Pensando nisso, meu coração ficou efervescente. Deitei no travesseiro de Liam e senti algo debaixo dele. Um brinco de pérola. Parecia familiar. Era um dos pares que eu usava o tempo todo. Uma vez, no dormitório de Jake, perdi um e nunca encontrei. Então Liam estava com ele. Eu me lembrei. Naqueles sonhos, Liam sempre guardava esse brinco. Depois de um minuto, coloquei de volta debaixo do travesseiro dele. O secador parou. Quando Liam saiu, usava um pijama azul-marinho. O vapor deixava a pele dele pálida. Com os cabelos arrumados, aquela frieza cortante estava mais suave. De algum jeito, Liam parecia… fofo. Eu estava prestes a chamá-lo quando ouvi vozes do lado de fora da porta. Meu rosto se fechou. Fiquei paralisada. Uma das vozes era, sem dúvida, a de Jake.O rosto de Liam se fechou, mas ele foi mais rápido do que eu. Quando Jake abriu a porta, Liam já tinha escondido minhas roupas no armário. Meus sapatos estavam embaixo da cama, bem no fundo. E Liam puxava o cobertor para se deitar. Só um abajur estava aceso, bem fraquinho. Eu estava escondida debaixo do cobertor do Liam. Só um volume pequeno. Mesmo que o Jake chegasse perto, não notaria, a menos que olhasse com atenção. “Por que está tão escuro aqui?” Jake perguntou. “Tomei chuva. A cabeça está doendo.” Enquanto falava, Liam segurou de leve meu pulso inquieto debaixo do cobertor. A cama era de solteiro. Liam era alto, ocupava espaço. Eu estava apertada contra ele. Minha respiração roçava o estômago dele. Eu sentia os músculos dele tensos. “Tá.” Jake não acendeu a luz. Sentou numa cadeira, pegou o celular, fez ligações. Depois de algumas ligações sem resposta, Jake ficou irritado. “Liam, você acha que a Mia está fazendo isso de propósito?” “O quê?” “Acabei de ficar com a Chloe hoje, e ela já está aprontando essa.” “O noticiário acabou de dizer que uma garota se jogou no rio por causa de problema amoroso.” “Achei que ela tinha feito besteira, corri para lá, deixei a Chloe para trás.” “Mas não era ela que tiraram da água.” “Passei a noite ligando para ela. Nada. Agora ela simplesmente sumiu.” Jake bateu o celular na mesa. “Ela está fazendo isso de propósito. Acabando com a minha noite.” Ele soltou uma risada fria. “Aposto que ela vai ficar grudada em mim para sempre.” “Talvez não.” A voz de Liam se intrometeu. Jake pareceu surpreso. “Talvez não?” “Liam, você viu. Como ela esteve colada em mim por dois anos.” “Você também se irritava com ela. Nunca deu bola.” Ouvindo aquilo, eu mordi a lateral do corpo do Liam. Ele se encolheu, a mão se mexendo para me bloquear, mas seus dedos só roçaram meus lábios. Mordi o dedo dele, de leve. O corpo inteiro de Liam ficou tenso. Um chiado baixo escapou. “Você está bem?” “Cãibra na perna.” A voz de Liam estava rouca. Ele tossiu. “Tá bom, vai descansar. Não vou te incomodar.” Jake se levantou. “Só vou no banheiro, depois vou embora.” Quando ele abriu a porta do banheiro, eu me lembrei. Mais cedo, eu tinha lavado minhas meias. Pendurado elas lá. Não deu outra: menos de dois minutos depois, Jake saiu com um sorriso maroto. “Liam, tem uma garota aqui?” “Fazendo segredo. Qual garota finalmente conquistou nosso príncipe de gelo?” “Cala a boca.” Jake deu um passo em direção à cama. “Já na cama? Escondendo alguém?” “Jake.” A voz de Liam ficou fria. “Tá, tá, não vou olhar.” Jake parou. Mas olhou para a cama, interessado. “Você tem camisinha? Tenho uma extra.” A mão de Liam na minha nuca, debaixo do cobertor, me manteve imóvel contra ele. Ele olhou para Jake, a voz inexpressiva. “Não fala das garotas assim.” “Você está falando sério?” Jake pareceu surpreso. Os lábios de Liam se apertaram, o pomo de adão dele se mexendo. “Sim.” Se a luz estivesse mais forte, Jake teria visto a dor no rosto de Liam. Ele estava segurando minha nuca para eu não me mexer. Mas o resto de mim podia se mexer. Ninguém conseguia ver debaixo do cobertor. Então eu pude conhecer o abdômen do Liam. Toda vez que eu tocava, os músculos dele ficavam mais tensos. Desci minha mão mais, até o V do quadril dele. A reação de Liam foi... grande. Me assustou. “Tá bom, não vou atrapalhar sua noite. Estou indo.” Jake se virou e saiu. A porta fechou. Eu joguei o cobertor longe. “Liam, eu estava sufocando...” Liam se recostou na cabeceira da cama, olhando para mim. A luz fraca caía sobre seus traços marcantes. Criando sombras. Eu só fiquei olhando. Dizem que a gente fica mais bonito sob a luz do abajur. Homens também. Um cara bonito em meio a luzes e sombras mutáveis... mexe com a gente. “Mia.” Liam se sentou devagar. Ele estendeu a mão, afastou o cabelo do meu rosto. Depois, segurando meu rosto, disse, sério: “Eu não me irritava com você.” “E eu não te dava gelo.” “Não dê ouvidos a ele.” Depois, ele me soltou. Levantou, pegou os cigarros dele. “Dorme.” “E você?” Ele apontou para a sacada. “Vou fumar. Dorme.” Bem naquela hora, eu espirrei. Liam parou. Eu agarrei a manga do pijama dele, fazendo careta. “Acho que estou ficando gripada. Minha cabeça está doendo.” Liam olhou para mim. “Solta. Vou pegar remédio para você.” Depois do remédio, eu ainda segurei. “Liam, estou com frio. O cobertor é fino.” Mas dessa vez, Liam afastou minha mão. “Mia, o Jake já foi faz tempo. Pode parar agora.” “O que ele tem a ver com isso?” Liam riu, meio amargo.3 — Por que você estava no rio esta noite? Eu entendi. A notícia sobre uma garota pulando. Ele achou que fosse eu. Pensou que eu tinha ido ao rio porque estava sofrendo, queria acabar com tudo. Ligar para ele, vir para cá… tudo para me vingar do Jake. Sinceramente, entendo por que ele pensaria isso. Por dois anos, os Foster me pressionaram muito. Depois que encontraram a filha verdadeira, quiseram me devolver. Aí perceberam que eu ainda tinha algum valor por causa de um casamento arranjado, então me mantiveram. Por isso o Jake era minha tábua de salvação. Eu pensava: crescemos juntos, deve existir algo entre nós. Ele me salvaria. Coloquei toda a minha esperança no Jake. Mas, para todos os outros, parecia que eu era obcecada. Especialmente para o Liam. Ele era o colega de quarto do Jake. Quanto da minha “perseguição” ele viu? — Liam… Tentei explicar. Mas ele já estava de pé. — Coloca um alarme. Saia cedo. Não deixe ninguém te ver. — Esse tipo de coisa… não é bom para você. — Liam. Ele não parou, não olhou para trás. Eu mordi o lábio com força. — Você me beijou hoje à noite. Muito. — E você… fez aquilo. — Não vai assumir a responsabilidade? Liam parou bruscamente. Virou-se para me olhar. Eu estava sentada na cama, com os olhos vermelhos, segurando as lágrimas. — Sei que você me odeia. — Todas as vezes que vim aqui antes, você me ignorou. — Mas obrigada. Por esta noite. Por ter me buscado. Por me deixar ficar. — Se você realmente não quer nada comigo, eu vou embora agora. Desci da cama. Nem me dei ao trabalho de calçar os sapatos. Andei descalça até a porta. Ao passar pelo Liam, de cabeça baixa, eu já estava chorando, em silêncio. — Mia. Liam me agarrou. — Eu disse, eu não te odeio… — Então você vai assumir a responsabilidade? Eu me soltei da mão dele, ergui o olhar para ele, desafiadora. — Você me beijou. Me abraçou. — E fez aquilo. Liam de repente segurou meu queixo e me beijou com força. — Mia. Ele sugou meu lábio, com a respiração pesada. — Se for começar isso, vá até o fim. Eu abracei sua cintura esguia, fiquei na ponta dos pés para retribuir o beijo. — Tá…Durante as férias de outono, fui até a cidade onde meus pais biológicos moravam. Fiquei três dias. Quando fui embora, aqueles dois — entregues a todo tipo de vício — já tinham sido levados pela polícia e iam responder perante a lei. Tráfico. Jogo ilegal. Coisas ilícitas. Graças aos sonhos, eu tinha provas de tudo. Não precisei de uma vida seguinte. Dessa vez, me livrei deles de uma vez por todas. Dentro do avião, soltei um suspiro longo. O maior peso tinha desaparecido. Eu me sentia leve. Livre. Quando o avião pousou, mandei uma mensagem pro Liam avisando que tinha chegado bem. Ele não sabia o motivo real da minha viagem. Achava que era uma viagem de amigas. "Vou aí hoje à noite. Tá tudo pronto na sua casa?" O Liam tinha se mudado do campus. Agora estava no último ano e quase nem pisava mais na faculdade. Além disso, morar com o Jake era… complicado. "Tudo pronto. Quer que eu vá te buscar?" "Claro." "Mia." "Oi?" "É aniversário do Jake. Ele vai dar uma festa. Me pediu pra ir… com a minha namorada." Eu tinha esquecido que o aniversário do Jake caía durante o feriado. "Mia. Quer ir comigo?" Eu não respondi. Meu estômago se revirou. Não era que eu não quisesse tornar a gente público. Mas a família Foster logo ia cortar meu sustento. E aí todo mundo ia saber da minha… origem. Eu sabia que o Liam não ia se importar. Mas eu não aguentava ver ele ser alvo de comentários. Como no sonho. Diziam que ele era desleal. Por causa de uma garota como eu. Despedaçando o coração da família dele. Mas, como o Liam tinha dito naquele dia. Eu comecei. Eu precisava terminar. Não dá pra ficar em cima do muro, né? "Liam." Respirei fundo. "Você quer que eu vá?" "Quero." Sem hesitar. "Então me busca. Eu vou com você." Segurei o celular e vi meu reflexo no vidro. Quando respondi, eu estava sorrindo. Um sorriso de verdade. "Mia, olha pra fora." Meu coração deu um salto. Eu me virei. Parecia uma cena de filme em câmera lenta. Com o sorriso ainda no rosto, o barulho do aeroporto se apagando. No meio da multidão, eu vi o Liam. Só o Liam. Larguei a bolsa e corri. O Liam ficou parado, mas abriu os braços. Eu me joguei contra ele, e ele me segurou, firme. Não deu nem um passo pra trás. Enlacei o pescoço dele com os braços, olhei pra cima sorrindo. "Amor… você é firme." Ele me olhou, com um riso grave. "Meu abdômen também não deixa a desejar. Quer testar?" Eu cutuquei o tanquinho duro dele e sussurrei no seu ouvido: "Só… foi um pouco rápido demais, sabe." "Mia…" Ele parecia rendido, mas o olhar continuava intenso, competitivo. "Você vai ver." "Não implora. Chorar não vai adiantar."